sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Primos


Anda prima, vem comigo
Serás minha companheira
Unimos os corações
Até um dia que Deus queira



Tu foste aquela quem
Acordou meu coração
Tomei-te tanta afeição
Que até ao longe te quero bem
Aos certos tempos de além
Minhas fortunas de abrigo
Tanto que eu a persigo
E ela de mim a fugir
E para ver se torna a vir
Anda prima, vem comigo


Nasce o Sol e torna a nascer
Com a mesma claridade
Também a nossa amizade
Pode a mesma força ter
Renovamos o bem-querer
Com uma fé verdadeira
Tu é que foste a primeira
Que recebeste meus afectos
Fazemos novos decretos
Serás minha companheira


Muita árvore que se seca
Ainda torna a renovar
Muita alma que peca
Pelo fim vem se a salvar
Depois do tempo passar
Há novas recordações
Empregamos as feições
Numa fé constante e pura
Até baixar à sepultura
Unimos os corações


Tua alma não avalia
Quanto eu vivo apaixonado
De me não ver a teu lado
E Gozar tua companhia
Até ao último dia
Que eu desço desta escaleira
A terra será herdeira
Dos nossos corpos humanos
E para muitos ou poucos anos
Até um dia que Deus queira

__________________________________


Ó primo não vou contigo
Podes viver descansado
Faz primo para te esquecer
O nosso tempo passando



Eu tinha 17 anos
Quando amei teu coração
Passei dias de paixão
Pelos teus golpes tiranos
Reconheci teus enganos
Sem futuro nem abrigo
Eu descubro-te e digo
Peço desculpa se ofendo
Desde agora fica sabendo
Ó primo não vou contigo


Eu ausente e tu ausente
Tu de mim e eu de ti
Às cartas que te escrevi
Não foste correspondente
Não me achavas competente
De me veres a teu lado
Tu é que foste o culpado
De eu outro caminho seguir
Agora não quero ir
Podes viver descansado


Toda a árvore que se secou
Nem mais torna a renovar
Nem o Sol a mesma luz dar
Como o tempo iluminou
Foi o tempo que gastou
A feição do bem-querer
É impossível ser
Foi tarde a tua lembrança
E se vives nessa esperança
Faz primo para te esquecer


Tua alma não avalia
O muito que estou sofrendo
Eu por mim já não pretendo
Ir para a tua companhia
Acabou-se a simpatia
De quem tu eras estimado
Não acudiste ao brado
Bem sei que tens que pensar
Já não posso renovar
O nosso tempo passado
(Francisco Varela)