sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Cruz


Calvário da minha vida
Oh grande cruz tão pesada
Perdi a fé e a esperança
Fui alguém, já não sou nada



Sou um débil moribundo
Alvejado pela sorte
O tempo em que eu era forte
Tudo acabou neste mundo
Sinto desgosto profundo
Ao ver a esperança perdida
Sinto a minha alma vencida
Numa luta desigual
Que situação infernal
Calvário da minha vida


Sinto faltar-me coragem
Para com a morte lutar
Deus deixa-me caminhar
Para a última viagem
Vou receber homenagem
Na derradeira morada
Virgem mãe imaculada
Tomai posse da minha alma
Roubas-me a vida e a calma
Oh grande cruz tão pesada


Oh meu Deus tem piedade
Destes suspiros que solto
Que eu bem sei que já não volto
A sentir felicidade
Só lá na interinidade
Onde a salvação se alcança
Eu sinto que a morte avança
Como fantasma para mim
O destino manda assim
Perdi a fé e a esperança


Já não sou quem era dantes
Sinto-me desfalecido
Hoje sou um fraco vencido
Em horas agonizantes
Vivo em aflições constantes
Nesta vida malfadada
Vejo que está aproximada
A minha última hora
Sou fumo que se evapora
Fui alguém, já não sou nada
(Francisco Varela)